Um grupo de até 30 jovens, com idades entre 13 e 17 anos, começou a ser treinado para atuar no turismo de base comunitária em Chapada dos Guimarães (MT). Lançado na última sexta-feira (24), o projeto “Turistando em Chapada dos Guimarães” estruturou um curso livre com duração de seis meses, abrangendo disciplinas de meio ambiente, língua inglesa, economia criativa e empreendedorismo.
A qualificação prepara mão de obra local para absorver o fluxo gerado pelo Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, unidade de conservação federal que registra cerca de 150 mil visitantes anuais. O treinamento técnico visa inserir os residentes na cadeia produtiva do turismo, setor que concentra fluxo de brasileiros e estrangeiros que utilizam o município como rota de acesso ao Pantanal.
Coordenado por Fernando Pael, o programa teve sua apresentação inaugural no auditório do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) na cidade. “O projeto nasce com o propósito de fortalecer o protagonismo de jovens, capazes de reconhecer e valorizar as riquezas naturais e culturais de Chapada, ao mesmo tempo em que constroem possibilidades reais de geração de renda por meio do turismo”, afirma o idealizador.
O eixo de ecoturismo do município baseia-se na reserva de 32 mil hectares, que protege nascentes da bacia pantaneira e abarca atrativos geológicos explorados comercialmente. Entre as rotas de visitação cobertas na formação dos alunos está o Circuito das Cachoeiras, trilha com 7 quilômetros de extensão, e a cachoeira Véu de Noiva, queda d’água com 86 metros de altura.
Para a turismóloga e integrante da equipe técnica do projeto, Natally Carvalho Neves, a iniciativa preenche uma demanda mercadológica imediata no interior de Mato Grosso. “Chapada dos Guimarães é um destino muito procurado por turistas, inclusive estrangeiros, e possui grande potencial em áreas como ecoturismo, turismo cultural e bem-estar. O Curso Livre para condutores mirins de turismo aproxima os jovens desse cenário, preparando-os para um mercado em crescimento e contribuindo para o desenvolvimento de vertentes ainda pouco exploradas”, avalia.
O cronograma de trabalho exige que, de forma paralela às aulas, a equipe técnica e os alunos desenvolvam um aplicativo de turismo colaborativo. A plataforma digital tem a função de catalogar atrativos já estabelecidos e mapear novos roteiros na região, em operação que será estruturada junto ao poder público e ao Conselho Municipal de Turismo.
A matriz curricular integra aspectos de preservação do patrimônio imaterial estadual, exigindo dos condutores mirins conhecimento técnico sobre manifestações regionais, a exemplo do Siriri e do Cururu.
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