As 175 unidades de conservação (UCs) monitoradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) receberam 28,6 milhões de turistas no ano passado. O número é recorde, 11,5% maior do que no ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta (07) no Salão Nacional do Turismo, em Fortaleza.
Entre as UCs que compõem esse resultado está o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, um dos destinos de natureza mais procurados do país e que integra o sistema federal de conservação.
O movimento gerou R$ 40,7 bilhões em vendas no período, agregando R$ 20,3 bilhões ao PIB brasileiro. O percentual equivale a 0,16% de tudo o que foi produzido no país, índice superior ao registrado nos Estados Unidos, onde a visitação às UCs agregou 0,115% ao PIB americano em 2024, segundo dados do National Park Service.
Toda a cadeia turística associada às unidades de conservação sustentou cerca de 332 mil empregos, concentrados principalmente em municípios pequenos que funcionam como bases de visitação. O estudo é do Programa Natureza com as Pessoas, do ICMBio em parceria com o Ministério do Turismo, conduzido pelo presidente do Grupo de Turismo de Natureza da ONU, Thiago Beraldo.
"O estudo considera todo o impacto que as unidades de conservação têm na economia, incluindo hotéis, restaurantes, serviços de transporte e até as lojas de souvenirs", afirma Beraldo.
O levantamento também analisou o perfil de gastos dos visitantes. Brasileiros que vivem a até 100 km das unidades gastam R$ 237 por visita, principalmente com alimentação. Já os que vêm de outras regiões gastam até 4,1 vezes mais, chegando a R$ 765 por visita, com hospedagem e transporte. Visitantes estrangeiros deixam R$ 615 por visita, com gastos concentrados em agências e guias turísticos.
Cada R$ 1 do orçamento do ICMBio (R$ 1,3 bilhão em 2025) gera R$ 2,30 em arrecadação tributária (R$ 2,99 bilhões no período). "O turismo nas unidades de conservação federais devolve em arrecadação tributária mais que o dobro do investimento público realizado", diz o pesquisador.
Unidades concedidas à iniciativa privada geram mais empregos: 18,8 postos por mil visitas, contra 8,1 nas de gestão direta do ICMBio. Para Iara Ferreira, diretora do ICMBio, o desempenho recorde mostra o potencial transformador da atividade. "Agora que começamos a arranhar o PIB, fica mais claro que a conservação da biodiversidade é capaz de gerar riqueza."
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, reconheceu o potencial do setor: "Os números mostram que nossas Unidades de Conservação são cada vez mais reconhecidas como destinos estratégicos para o país". São 347 UCs no Brasil, muitas ainda sem visitação estruturada.