O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (PNCG) intensificou sua execução do seu cronograma de queimas prescritas para o ano de 2026. As ações são planejadas, controladas e realizadas por brigadistas especializados, estando previstas e respaldadas pelo Plano de Manejo Integrado do Fogo (MIF) da Unidade de Conservação (UC). O objetivo fundamental é a redução do material combustível para evitar a ocorrência de grandes incêndios florestais nos períodos de estiagem mais severa.
O Parque Nacional ressalta que, durante este período, moradores e visitantes poderão avistar fumaça na região. No entanto, a população deve manter a tranquilidade, pois estas fumaças são decorrentes das queimas prescritas, executadas sob rigorosas condições de segurança.
Estratégia ampliada e parceria inédita
Este ano marca a maior área prevista para manejo com fogo em um mesmo ano na história do PNCG, compreendendo pouco mais de 20% da área total da unidade de conservação federal. Diante de prognósticos climáticos que apontam 2026 como um ano bastante quente na região, com previsão de ondas de calor sucessivas a partir do segundo semestre e uma extensão da seca além do normal, a antecipação preventiva tornou-se ainda mais crucial. O Parque Nacional tem lastreado com sucesso sua estratégia de proteção nos últimos 9 anos em queimas prescritas e outras ações do MIF.
Pela primeira vez, o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) está realizando queimas prescritas integradas em um plano próprio compartilhado com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Essa união inédita de esforços e recursos visa trabalhar a prevenção de forma mais ampla em todo o território da Chapada dos Guimarães e da Baixada Cuiabana. As ações conjuntas com os militares abrangem áreas que fazem interface com o Parque Nacional e a Área de Proteção Ambiental da Chapada dos Guimarães.
Metas de Manejo para 2026
O plano de ação para este ano está distribuído em três frentes principais de atuação:
1. Dentro do PNCG: Estão previstas 76 queimas prescritas, totalizando uma área de 6.291 hectares.
2. Interface PNCG / APA Estadual Chapada dos Guimarães: Estão previstas 7 queimas na área de transição, cobrindo 1.006 hectares. Estas ações contam com a atuação do CBM e estão previstas no plano do estado de Mato Grosso.
3. Fora do PNCG (na APA Estadual): Estão previstas 18 queimas prescritas, somando 4.382 hectares. Estas serão executadas pelo CBM com eventual apoio do ICMBio, caso seja requisitado.
Para efeito de comparação e comprovação da eficácia do método, em 2025 foram manejados cerca de 2.000 hectares exclusivamente dentro do PNCG. Como resultado do trabalho preventivo, apenas 0,5 hectare do Parque Nacional foi atingido por incêndios florestais não controlados naquele ano.
Janela de aplicação e Recursos operacionais
Atualmente, o bioma Cerrado ainda se encontra bastante úmido, o que permite que o fogo corra com total segurança e controle. A intenção dos órgãos ambientais é estender a janela de aplicação das queimas prescritas até meados de julho. Isso se deve ao fato de que as áreas mais arborizadas ainda não estão secas o suficiente para que o fogo atue de forma efetiva na redução do material vegetal acumulado.
Para garantir o sucesso e a segurança das operações, a estrutura atual conta com a Brigada do PNCG (composta por 8 integrantes), apoio especializado de Brasília (5 integrantes), além de um helicóptero. O contingente será significativamente reforçado a partir do dia 15 de junho de 2026, com a previsão de chegada de mais 27 brigadistas que estão em fase final de contratação.
O PNCG reforça que o Manejo Integrado do Fogo é uma ferramenta científica e de conservação que utiliza o fogo "bom" no momento certo para proteger a biodiversidade, as vidas humanas e os patrimônios naturais contra o fogo destrutivo dos incêndios de grande proporção.