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Tudo bem se você não estiver bem!

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”

Pris Mendes

Pris MendesPriscila Mendes é jornalista, feminista, socialista, sindicalista, só não é flamenguista, por não gostar muito de futebol. É professora, pesquisadora, servidora pública e defensora dos mais vulneráveis. É bissexual, de sorriso largo e a cor preferida é o amar-elo.

30/06/2020 17h52Atualizado há 1 semana
Por: Priscila Mendes
Fonte: Priscila Mendes

Apesar de ser autoexplicativo sentir-se mal durante uma pandemia, ainda existe a demanda (íntima ou social) de ficar bem. “É só uma fase, vai passar”, lemos, escutamos, dizemos a nós mesmos. 

Mas tudo bem se você não estiver se sentindo bem! 

Ora, nossa rotina mudou e, diferentemente de quando escolhemos mudar de casa, cidade ou emprego, foi sem nossa participação, sem nosso desejo. 

Todas as pessoas estão sendo afetadas em menor ou maior grau, desde a divulgação da primeira morte por Covid-19 (no Brasil, foi em 16 de março). Há as que perderam emprego, as que perderam um familiar, as que perderam renda. Há as que têm medo de perder emprego, familiar ou renda. Há também as que se solidarizam e sentem a dor de tantas perdas. 

Uns sentem solidão; outros os desafios da convivência mais intensa; tantos sentem saudades insanáveis com vídeo-chamadas ou telefonemas, muitos adiaram sonhos e planos... Outros tantos não sabem mais como acionar a criatividade para educar e entreter as crianças dendicasa. E a maioria está desafiando o vírus entre ônibus e metrôs, para garantir o emprego, o sustento, em uma realidade em que isolamento social não é opção. 

Vídeos no Tik-tok, desafios no Facebook, conversas bobas em grupos de Whatsapp, jogos em casa, treinos pelo Youtube, lives, receitas novas são ferramentas pra encontrar um pouco de sanidade mental no meio de tamanha turbulência. 

Mesmo assim, você pode se sentir ansioso ou deprimido, ganhar uns quilinhos ou desgostar do espelho! O filósofo indiano Jiddu Krishnamurti já dizia, no século passado, que “não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”. O Papa Francisco, com a praça de São Pedro completamente vazia, registrou, em março deste ano, que “não podemos pretender ser saudáveis num mundo doente”. 

Ambos foram simbólicos, metafóricos em suas mensagens. Que podemos interpretar também como literais. Afinal, nossa humanidade – com tanta opressão, crueldade e desigualdade – já se encontrava doente antes mesmo do novo coronavírus. 

Então, tudo bem acordar triste, chorar um pouco (por aqui, é quinzenal – rindo de nervoso!), transbordar o pote de emoções, para se renovar e continuar suas lutas íntimas. Acione suas ferramentas, busque colos (mesmo que à distância), refúgios (o livro, a música, a atividade física, a rede social, o chocolate, a novela etc)... Se persistir, procure um psicólogo. 

Desculpe-me por discordar, Chico, mas a gente não é obrigada a nada. Nem a ser feliz.

Respeite seus limites e valorize sua saúde mental. 

Não agora, mas – quero crer – alcançaremos, em breve, o “novo” tudo bem.

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