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COVID-19 EM CHAPADA

Colapsou!

Essa é a palavra que muitos de nós não imaginaria usar tão cedo nesse século. Pois bem. Aconteceu. Está acontecendo.

GeoAnálises

GeoAnálisesProfº. Me. EDUARDO VINÍCIUS ROCHA PIRES Mestre e Geógrafo pela UFMS, Professor de Geografia,Pesquisador do Grupo DIGEAGEO( Diretrizes de Gestão Ambiental com Uso de Geotecnologias), Membro do LAPEGEO( Laboratório de Prática e Geoprocessamento da UFMS- Três Lagoas).

08/07/2020 08h11Atualizado há 1 mês
Por: Luciana Bonfim
Fonte: Prof° Eduardo Rocha

Na Ciência Geográfica gostamos e precisamos sintetizar e espacializar informações. Seguindo o ritmo de outros colegas de profissão, que seguem fazendo gráficos e mapas e, mais que isso, criando análises e projeções, entendi a necessidade de fazer o mesmo com os dados do vírus Sars-CoV-2 (causador do covid-19) da cidade que tanto amo: Chapada dos Guimarães.

No Estado de Mato Grosso, de modo geral, a Pandemia “chegou” em meados de março, porém só começou a sentir seus efeitos colaterais nos primeiros 10 dias do mês de abril, quando o crescimento começou a ser exponencial e a transmissão do vírus passou a ser comunitária nas principais cidades de Mato Grosso(Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Barra do Garças), com um crescimento de mais de 1000%, isso mesmo, MIL POR CENTO, desde o início da pandemia em março. 

Esse crescimento se dá devido a muitos fatores. O principal deles foi a demora para atitudes e protocolos estratégicos de combate à disseminação do vírus que mesmodepois de 42 DECRETOS ESTADUAIS, a regulamentação de um distanciamento social mais efetivo não surtiu nenhum efeito. 

Talvez com o decreto Nº 532, de 24 junho de 2020, que Altera a classificação de risco e as diretrizes para adoção, pelos Municípios, de medidas restritivas para prevenir a disseminação da COVID-19, possamos vislumbrar meios de contenção e prevenção da transmissão do vírus Sars-CoV-2, pois classifica o nível de contágio nos municípios e assim criar planos estratégicos mais eficiente do que apenas simples contagem de casos e uma relação confusa entre abertura, fechamento e flexibilização do que nunca foi rígido. Já na nossa queria e charmosa cidade, o cenário não fica distante da situação estadual e federal. 

Do dia 1 de junho à 1 de julho, houve um crescimento de casos confirmados de 685%. E da última semana até o dia em que esse artigo está sendo escrito, houve um crescimento de 35% nos casos. Sem contar que existem subnotificações comuns devido à falta de acesso a testagem em massa e, segundo a Lagom Data, em uma pesquisa feita no mês de maio e junho, os casos de SRAG(Síndrome Respiratória Aguda Grave) tem aumentado de forma significativa na Região Centro-Oeste, dando a entender a ligação entre essa síndrome com casos subnotificados. 

Sabendo disso, precisamos ficar atentos com os casos suspeitos no município também. Na última semana, tivemos um crescimento de 47% nos casos suspeitos de Covid-19.

Voltando aos casos positivos, sabendo que a Secretaria Estadual de Saúde classificou o município com a taxa de contaminação “Muito Alta” e o crescimento de casos está na casa dos 35-40%, a projeção é que até o dia 20 de julho tenhamos ultrapassado a marca de 220 casos. Caso o cenário continue o mesmo, poderemos chegar a marca de 400 casos ainda no início do mês de agosto.

Medidas restritivas precisam ser tomadas diante desses números. Independente da posição ideológica, a vida das pessoas precisam ser colocadas em primeiro lugar. Por mais difícil que seja, a testagem em massa precisa ser uma meta de qualquer comitê de combate ao COVID-19.

Lembrando que estamos entre 2 municípios que estão classificados como contágio MUITO ALTO (Cuiabá e Campo Verde). Barreiras sanitárias são excelentes caminhos de se entender qual a logística de transmissão do Vírus. Outra importante ferramenta, e aqui estou para defendê-la devido minha profissão de origem, é a espacialização (mapeamento) dos casos no município. Entendendo quais os principais locais de contágio, o controle e prevenção são mais eficazes. Aqui não quero entrar no mérito de profilaxia e tratamento durante o período de incubação do vírus no indivíduo, pois nem tudo um Geógrafo pode responder. Mas é certo que precisamos ouvir a voz da Ciência.

Nesse momento precisamos unir forças e estratégias para o combater esse inimigo invisível a olho nu. E, caso não seja feito nada de mais concreto, caso continue a flexibilização da economia numa cidade onde o contágio é MUITO ALTO, nosso destino é cada dia mais aparecer nas mídias, lamentando a morte de familiares, conhecidos, amigos.

COLAPSOU. Mas tem como melhorar!

Profº. Me. EDUARDO VINÍCIUS ROCHA PIRES

Mestre e Geógrafo pela UFMS

Professor de Geografia

Pesquisador do Grupo DIGEAGEO( Diretrizes de Gestão Ambiental com Uso de Geotecnologias)

Membro do LAPEGEO( Laboratório de Prática e Geoprocessamento da UFMS- Três Lagoas)

 

 

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