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COM O LOBO-GUARÁ NO BOLSO

O maior canídeo silvestre da América do Sul, que vive em risco constante, torna-se o símbolo da cédula mais valiosa no Brasil

GeoAnálises

GeoAnálisesProfº. Me. EDUARDO VINÍCIUS ROCHA PIRES Mestre e Geógrafo pela UFMS, Professor de Geografia,Pesquisador do Grupo DIGEAGEO( Diretrizes de Gestão Ambiental com Uso de Geotecnologias), Membro do LAPEGEO( Laboratório de Prática e Geoprocessamento da UFMS- Três Lagoas).

02/08/2020 15h44Atualizado há 2 meses
Por: Prof° Eduardo Rocha
Fonte: Profº Eduardo Rocha
Fotomontagem: Patricia Naomi Sagae
Fotomontagem: Patricia Naomi Sagae

Pela 1ª vez em 18 anos o Real tem uma cédula nova. A última tinha sido a de vinte reais.

Mas, você deve estar se perguntando “Por que, no meio de uma Pandemia, o Governo está lançando uma nota nova?”

A explicação do Banco Central é a de que essa cédula de valor maior se tornou necessária exatamente nesse contexto: Devido a um aumento da demanda por dinheiro em espécie durante a Pandemia.

O Banco Central diz ainda que, em março, a quantidade de dinheiro vivo com a população era de aproximadamente R$216 bilhões. A partir daí esse valor começou a subir rapidamente e hoje está em R$277 bilhões.

Um dos motivos pro aumento da demanda por cédulas é o que o banco central chama de “entesouramento”. Que é uma palavra bem bonita, de encher a boca ao falar. Mas, essa palavra é sinônimo do famoso “Guardar dinheiro debaixo do colchão”. Isso acontece em momentos delicados e de incertezas, onde as pessoas costumam fazer saques e acumular reservas.

Mas, Eduardo, isso não vai na contramão de um movimento mundial de ampliar a quantidade de transações por meio digital?

Embora em muitos países a circulação de cédulas esteja diminuindo e muitos estabelecimentos nem aceitem mais dinheiro vivo, o Banco Central “bate na tecla” de que no Brasil o pagamento em espécie é o mais frequente, cerca de 60% de todos os pagamentos.

Então, qual é a maior polêmica sobre tudo isso?

Além de todo mundo ter sido pego de surpresa, já que não tinha nenhuma informação circulando de que o Banco Central estava estudando uma nova nota. Uma parte da explicação é de que um momento, de dar frio na espinha, ainda está na lembrança da população. A economia brasileira na década de 80 e 90.

O efeito psicológico que uma nota de 200 pode ter em um país que viveu um grande período de alta inflação é aterrorizante e sempre bate em nossas portas desde meados de 80 e 94 com plano real. Naquela época o Brasil precisou criar notas mais altas.  Lembram da nota de Quinhentos Mil Cruzeiros?

A hiperinflação naquela época reduziu tanto o valor de compra do dinheiro e a gente precisava de notas mais altas, pra que não precisasse sair com uma mochila cheia de notas para fazer uma simples compra no mercado ou comprar um café.

Então, é normal que tenhamos medo de que o surgimento dessa nova cédula de Real seja uma repetição do passado não muito distante. Mas, hoje, os problemas são de outra ordem.

Com a economia retraindo, a expectativa é que a inflação fique abaixo dos 2% nesse ano segundo o Boletim Focus do Banco Central da última semana de julho, muito abaixo dos 1045,3% que chegava a bater na década de 80 até 1994.

Mas se formos analisar, nos últimos 26 anos, perdemos 84% do valor da moeda, que em números seria: A nota original de R$100,00 criada em 1994, hoje seria o equivalente a R$16,00. Ou seja, ao longo do tempo, o Real vem perdendo valor.

Mas é óbvio que tudo isso vem junto com uma grande surpresa para a população. Uma nova CPMF. Ideias iguais, roupagens diferentes. Paulo Guedes quer implementar um modelo de imposto que, por mais que tenha outro nome, funciona nos mesmos moldes do imposto antigo. CPMF foi um imposto federal cobrado toda vez que uma pessoa fazia uma movimentação bancária.

E o lobo-guará? Por onde anda?

O animal que estampará a nota de R$ 200 tem passado por uma fase de pouca valorização: perdeu parte de sua população nas últimas décadas, tem sido alvo constante de produtores rurais e viu o seu território ser tomado pelo agronegócio.

Continuaremos nós, classe trabalhadora, vendo pouco o Lobo-guará. Seja no cerrado ou na carteira.

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