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ALMT Campanha: Fake News Pandemia
NOVO NORMAL

O sucateamento à distância

O retorno às aulas do Ensino Público de Mato Grosso remotamente tem refletido o sucateamento que já vinha acontecendo no ensino presencial

GeoAnálises

GeoAnálisesProfº. Me. EDUARDO VINÍCIUS ROCHA PIRES Mestre e Geógrafo pela UFMS, Professor de Geografia,Pesquisador do Grupo DIGEAGEO( Diretrizes de Gestão Ambiental com Uso de Geotecnologias), Membro do LAPEGEO( Laboratório de Prática e Geoprocessamento da UFMS- Três Lagoas).

03/09/2020 17h00
Por: Prof° Eduardo Rocha
Fonte: Prof° Eduardo Rocha

No início do mês de agosto desse ano as aulas da rede estadual de ensino público de Mato Grosso voltaram. Só que dessa vez de forma remota, à distância. E com esse retorno, velhos problemas refletem no “novo”.

O ensino remoto no Brasil não é tão novo quanto parece. Nas redes privadas de ensino básico, essa metodologia já existe como prática complementar a mais de 15 anos. Consolidando todo um mercado de informatização da educação no Brasil. Esse foi um dos fatores para que as redes privadas de ensino saíssem na frente para continuar suas atividades com seus alunos remotamente durante esse período de Pandemia.

Mas, nem tudo são flores. E a rede pública de educação?

Já na rede pública de educação básica, sabemos de todas as problemáticas que acontecem no campo FÍSICO. Falta de infraestrutura, Falta de profissionais, Professores doentes, salários defasados, ameaças vindas dos governantes, desvalorização da classe. Tudo isso se refletirá sobre os alunos e os professores.

Na rede pública estadual de educação de Mato Grosso, não acontece diferente.

A Secretaria de Educação de Mato Grosso juntamente ao Governo de Estado, lançou logo no início da Pandemia no site da SEDUC a página “Aprendizagem Conectada”, onde os alunos tecnicamente poderiam ter acesso a materiais didáticos para estudar de forma complementar. E, para quem não tem acesso à internet, poderiam buscar apostilas impressas com mesmo conteúdo. NA ESCOLA. (Sair de casa. Se expor ao vírus. Pegar apostila. Voltar pra casa. E estudar. Sem professor)

E enquanto isso, as direções da escola tendo que se expor diariamente no chão da escola para fazer essas impressões.

Logo após um período de entrega de apostilas, a SEDUC fez um contrato milionário com a empresa Microsoft para a compra da Plataforma Digital de Acesso Microsoft Teams, já muito conhecida pelo Sistema S e outras escolas da Rede Particular.

Até aí, o leitor que me segue deve estar se perguntando “Mas, Prof Eduardo, o que tem de errado nisso tudo?”

É nesse momento que a gente volta ao título, caro leitor. O Sucateamento continua, mesmo remotamente.

Sabemos que mais da metade dos alunos da rede estadual de Mato Grosso em Chapada dos Guimarães não possui acesso à internet banda larga. Mas, quem dera fosse só a internet.

A Plataforma Microsoft Teams possui um banco de dados denso e extenso, fazendo que qualquer aparelho celular, notebook, tablet ou computador que não seja de alta qualidade, trave por não possuir as capacidades técnicas de suporte à plataforma.

Então, quem não tem acesso ao mínimo, continua recorrendo às apostilas impressas. Sem acompanhamento de um professor e muito menos de internet com qualidade.

Enquanto isso, do outro lado das telinhas, estão os professores. Passando horas e horas(até mais que sua jornada obrigatória) na frente de um celular e notebook, tendo que tirar do próprio salário defasado para comprar aparelhos melhores, novos chips de celular para atender os alunos, quase fazer um estúdio semi-profissional em casa. Sendo obrigados à produzirem apostilas (que é obrigação do estado, diga-se de passagem) para os alunos que estão conseguindo acessar a plataforma online.

E, para não deixar os alunos na mão, todos os profissionais das Unidades escolares estão se desdobrando para fazer o possível e o impossível para que cheguemos nas telinhas do maior número de estudantes possíveis.

Do Estado? O bom e velho: CUMPRA-SE.

Professores doentes, Estudantes desassistidos, Diretores, coordenadores, secretários sendo obrigados a obedecer normativas do governo.

Novo normal? Não é novo não, gente! A Educação Pública no Estado de Mato Grosso continua sucateada.

Só que agora, remotamente.

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