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10 DE SETEMBRO

DIA DA LUTA E VISIBILIDADE ANTIGORDOFOBIA NO BRASIL

Malú é filosofa, moradora de Chapada dos Guimarães e em breve lançará seu segundo livro

10/09/2020 07h49Atualizado há 1 semana
Por: Luciana Bonfim
Fonte: Por Malu Jimenez

Dia 10 de setembro é o Dia de Luta contra a Gordofobia no Brasil. Pesquisando sobre a origem da data, descobri, com muita dificuldade, que ela veio importada dos Estados Unidos pela publicação de um artigo que discutia o corpo gordo.

Também descobri que, até 2018, comemorava-se, na verdade, o Dia do Gordo, e a data era extremamente gordofóbica.  Foi então que um coletivo do ativismo Gorde em Salvador, o @vaitergorda, em 2019, ressignificou o 10 de setembro numa audiência pública na Câmara Municipal de Salvador, BA. Até o momento, não descobri mais nada sobre esse dia, porém a pesquisa continua.

Aproveitemos essa data para entender o que é gordofobia, a importância e necessidade de falar sobre esse tema antes de qualquer julgamento do corpo do outro.

Este texto traz para vocês um resumo, de maneira bem didática, de alguns conceitos importantes: o que significa sofrer gordofobia, como ela se manifesta, quais comportamentos são gordofóbicos, o que e por que existe o ativismo gorde, o empoderamento de mulheres gordas que lutam contra essa opressão sobre seus corpos e por acessibilidade e tratamento digno e humanizado na saúde, por exemplo.

Se você se identificar como uma pessoa gordofóbica, calma! Não se assuste!  Esse estigma, por ser estrutural, faz parte da nossa maneira de entender os corpos em sociedade. Respire e leia até o final, pensando em modificar a sua maneira de julgar os corpos gordos.

Todo mundo é gordofóbico: eu e você, nossa família, professores e amigos, e é exatamente por isso que precisamos rever nossa maneira de olhar e avaliar as pessoas gordas. Para que essa mudança possa acontecer, é importante que a gente leia, ouça e se interesse em entender o que significa, como isso machuca, mata e exclui essas pessoas. Assim, começamos a mudar nossa visão e nosso comportamento gordofóbicos.

Vamos aprender?

O que é GORDOFOBIA?

É o preconceito contra pessoas gordas, e essa discriminação leva à exclusão social e, portanto, nega acessibilidade às pessoas gordas. Essa estigmatização é estrutural e cultural, transmitida em muitos e diversos espaços e contextos na sociedade contemporânea. Esse prejulgamento acontece com desvalorização, humilhação, inferiorização, ofensas e restrições aos corpos gordos de modo geral. 

O que são comportamentos GORDOFÓBICOS?

São atitudes que reforçam o preconceito/estigma e fortalecem estereótipos, que acabam estabelecendo situações degradantes e constrangedoras, marginalizando a pessoa gorda e a excluindo socialmente. Esses comportamentos acontecem na família, na escola, no trabalho, nas mídias, nos hospitais e consultórios, na balada, no transporte, nas praias, academias, piscinas, redes sociais, na internet, nos espaços públicos e privados. 

Gordofobia no Mercado de Trabalho

Pesquisas mostram que sete em cada dez empresas no Brasil não empregam pessoas gordas para suas vagas de trabalho. Em concursos públicos, oito de cada dez aprovados gordos enfrentam dificuldades para assumir cargos, mesmo sem nenhum problema de saúde. 

Gordofobia nas Mídias

 Em comerciais, novelas, jornais, revistas em geral, os corpos gordos são ridicularizados e associados a fracasso, incapacidade, desonestidade, são corpos sofredores fazendo dietas sem êxito. Os gordos sempre recebem olhares e falas de desaprovação por existirem e devem ser penalizados e evitados a qualquer custo. 

Gordofobia Médica

 Em hospitais, consultórios, clínicas, os profissionais da saúde tratam o corpo gordo como doente e incapaz, mesmo antes de qualquer exame que demonstre alguma doença. Existe uma preconcepção que associa o corpo gordo à doença, ou seja, a crença de que toda pessoa gorda está enferma. E, assim, qualquer queixa do paciente gordo geralmente acompanha o diagnóstico de que a culpa é dele mesmo por ser gordo. 

Gordofobia na Família

A família não aceita o familiar com corpo gordo, acredita que ele é gordo por ser preguiçoso, folgado, incapaz, sujo e, portanto, é visto como causador de vergonha aos demais membros do grupo familiar. Dessa maneira, o grupo, ou individualmente, rejeita a presença da pessoa gorda nas celebrações, à mesa, em viagens, fotografias, reuniões, etc.

Falta de acessibilidade para o corpo gordo

O corpo gordo não cabe em nossa sociedade.  Apesar de mais da metade de a população brasileira ser considerada gorda, não existem espaços acessíveis a esses corpos. O corpo gordo perde seus direitos como indivíduo social: perde o direito de se sentar numa cadeira confortável no restaurante, no avião, no cinema, no barzinho, de passar numa catraca de ônibus, de caber numa banheira, ir  à praia de biquíni, comprar roupas e acessórios, de ir à academia e ter aparelhos para exames médicos em que o corpo gordo caiba  adequadamente.

 O que é ativismo Gorde?

Em contraposição a essa opressão, que afeta, sobretudo, pessoas do gênero feminino, estão sendo criados canais de ativismos que se propõem a “representar” os corpos gordos de maneira positiva. Despadronizando a exigência vigente de um corpo magro para ser feliz e respeitado, reverberando outro modo de ser e estar no mundo, admitindo um corpo diferente do imposto como padrão. Os ativistas, de forma geral, procuram sair do padrão e buscar outro caminho de estar e se perceber no mundo; para muitos deles, parece importante perceber-se como gordo, usar o título de gordo como estratégia de autodenominação positiva e nunca negativa.

A palavra GORDA não é um xingamento!

O termo Gordo deve ser percebido como um adjetivo bom, que deve aparecer, existir ser aceito, para ser visível e estar presente na sociedade. Quando arrancamos de nós esse sentimento de horror ligado ao adjetivo Gordo, estamos nos tornando resistentes e desobedientes dissidentes da norma imposta por uma sociedade que padroniza e controla corpos e desejos, que define o belo e o saudável. 

O que é feminismo Gordo?

De forma geral, segundo a cientista política, pesquisadora e feminista Jussara Prá, o feminismo é um posicionamento político que busca entender a subordinação das mulheres e encontrar estratégias para enfrentar a discriminação.

A aceitação do próprio corpo com a concomitante despadronização da concepção de beleza é um processo que dura a vida inteira e nunca será algo fácil e rápido, por isso é tão difícil e revolucionário. Em nossa sociedade, a força da gordofobia é sutil, mas muito profunda e enraizada no sistema patriarcal, numa sociedade disciplinar. Aceitar o corpo como ele é, ou produzi-lo de modo criativo, pode provocar mudanças nas concepções de beleza, saúde e felicidade, e podemos considerar esse processo uma expressão de resistência à corporeidade capitalística, já que transfere o indivíduo para outra lógica de estar e ser no mundo. 

O empoderamento do Corpo Gordo Feminino

O empoderamento feminino gordo é um processo que parte de uma busca por ações e conhecimento, para encontrar força e poder sobre si e conseguir se emancipar de opressões que acontecem em nosso entorno e nos tornam oprimidos e tristes com o que somos. Ao contrário, o processo de empoderamento faz com que percebamos essas opressões e o quanto elas podem nos fazer mal; e, assim, encontramos novos modos de pertencer às instituições e de instituir outros arranjos sociais.

O empoderamento da gorda passa  de deixar de se sentir inferior e/ou excluída  para entender que o preconceito e a exclusão do gordo na sociedade acontecem por sistemas de padronizações sociais que geram lucros e que gostar de si mesma como se  é, e não  como a sociedade gostaria que  fosse, é emancipar-se. 

Espero que vocês tenham aprendido o que é gordofobia, percebido ela dentro de si e a necessidade de mudar essa visão sobre os corpos gordos. Lutemos por um mundo mais humano e menos preconceituoso. Essa mudança pode começar por você, não se esqueça!

Para Consultar:

- Gordofobia: uma questão de perda de direitos, 2018. (Blog/Facebook). Disponível em: http://www.todasfridas.com.br/2018/03/11/gordofobia-uma-questao-de-perdaa-de-direitos/ 

- O corpo gordo feminino como resistência! 2018. (Blog/Facebook). Disponível em: http://www.todasfridas.com.br/2018/03/03/o-corpo-gordo-feminino-como-resistencia/ 

-Por que a BELEZA é tão importante para as MULHERES? 2018. (Blog/Facebook). Disponível em: http://www.todasfridas.com.br/2018/11/12/por-que-a-beleza-e-tao-importante-para-as-mulheres/

 

 - Pelo direito a não querer emagrecer e ser GORDA! RESPEITO AOS CORPOS DIFERENTES! 2019 . (blog/Facebook). Disponível em: http://www.todasfridas.com.br/2019/02/12/pelo-direito-a-nao-querer-emagrecer-e-ser-gorda-respeito-aos-corpos-diferentes/ 

- MEU CORPO GORDO É POLÍTICO: RESISTE AOS PADRÕES DA BELEZA E SAÚDE. 2019. (blog/Facebook). Disponível em: http://www.todasfridas.com.br/2019/07/17/meu-corpo-gordo-e-politico-resiste-aos-padroes-da-beleza-e-saude/

- GORDOFOBIA NA ESCOLA: LUTE COMO UMA GORDINHA! 2019. (blog/facebook). Disponível em: https://www.todasfridas.com.br/2019/09/20/gordofobia-na-escola-lute-como-uma-gordinha/ 

Collab

Este texto resulta da parceria entre mulheres gordas: pensado e escrito por Malu Jimenez e revisado por Gaia Revisa ([email protected];@gaiarevisa)   

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