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FELIZ ANO NOVO

Querido Bolsonarista, meu Feliz Ano Novo é, exclusivamente, pra você!

Por favor, entenda: ninguém critica o Jair por modismo

Flávia Pires

Flávia PiresDo tempo que Plutão era planeta, uma nômade sedentária e pequenos infinitos.

01/01/2021 10h38
Por: Luciana Bonfim
Fonte: Flávia Pires

Ser politizado num país cujo povo vai à praia comemorar lotação hospitalar é uma opção de vida antipática e incompreendida.

Nada contra usar um instrumento tão poderoso quanto às redes pra falar só de si e ignorar injustiças. É vão e opressor, também, o patrulhamento pra impor o levantamento de bandeiras e causas.

Sem contar que o modo “good vibes” via abstenção de polêmica é não só oportuno como necessário.

Ambos concordamos que mero desejo é razão mais do que suficiente pra se omitir.

Só não faça o alecrim dourado renascendo em 2022 pra acusar quem acompanhou, noticiou e discutiu sobre fatos do mundo de mal informado, de novo. Por misericórdia, imploro: cancele o plano de campanha noutro idiota, em nome da família brasileira que sobrar depois da pandemia.

O maior aprendizado de 2020 é que você se esquiva da responsabilidade nos casos de desfecho ruim. Ou seja, sempre. Desaparece do apoio ao Crivella, ao Dória, à Joice, ao Kim, ao Frota, ao Bibiano, Mandetta, ao Teich e ao Sérgio Moro. Sumiram os exemplos de Israel e dos EUA como parâmetros de governos para serem seguidos, atualmente, no que se refere à vacinação. E a Suécia não é mais citada para justificar falta de isolamento social por que o governo daquele país já assumiu que seus atos levaram a mais mortes do que se optassem pela quarentena. Sendo assim, o incentivo à aglomeração e o discurso de imunização por rebanho realizando o contágio pela exposição direta ao vírus trata-se de uma narrativa assassina confessada pelo país autor da medida copiada pelo Brasil.

Por proporção, o “mito” deve admitir que tomou uma decisão genocida. Mas, o nosso gestor maior segue dando ordens, no mínimo, questionáveis que chacinam multidões, impunemente.

A ironia é que, enquanto poucos se culpam até de pisar no pé de alguém sem querer, muitos arrastam as solas dos sapatos no meio-fio pra tentar esconder a sujeira do rastro de sangue.

Mesmo que não tenha ido pessoalmente, há pegadas suas transmitindo o vírus e contaminando idosos pelas unidades de saúde pelo país afora.

Afinal, o presidente fez a sociedade duvidar da gravidade da doença questionado os dados de casos confirmados e mandou seus apoiadores invadirem leitos pra confirmar os números de acometidos só para filmar e publicar na internet. O homem que foi eleito para proteger os cidadãos plantou no inconsciente coletivo a mentira de que o coronavírus é uma enfermidade não tão grave como publicam no jornais. Esta noção levou vítimas a enfraquecerem os cuidados e afrouxarem o distanciamento umas das outras. Desta maneira, quem pertencia ao grupo de risco e que não se contaminaria caso se conscientizasse da seriedade do assunto, pode ter adoecido e morrido por que seu líder maior subestimou o poder devastador de uma pandemia. Famílias chegaram ao absurdo de abrir caixões lacrados para desmentir os atestados médicos e os profissionais da saúde. O presidente escarneceu sobre a dor provocando viúvas e órfãos a arrombarem caixões de seus entes, desesperados.

Enfermeiras e médicos foram agredidos por bolsonaristas aos montes. Inúmeros destes profissionais morreram salvando os próprios algozes.

Tem digital sua no compartilhamento do vídeo em que Messias diz que o corona era só uma gripezinha e na live em que estimou por volta de 800 mortos, no total.

Tem sua visualização seguida de um pano passado para os ataques à imprensa que, ontem, noticiava manchetes que davam argumentos reais para atacar e condenar desafetos e, hoje, é mentirosa por que persegue o presidente ao divulgar sua incompetência.

Você não pergunta dos 89 mil que o Queiroz depositou na conta da Primeira-dama feito indagava sobre o sítio de Atibaia. Não liga pros vários apartamentos comprados em dinheiro vivo pela família presidencial como interessava pela única unidade situada no Edifício Solaris.

Lembro se sua revolta denunciando governos passados e medito para onde possa ter ido tamanha sede por honestidade e cidadania.

Ninguém gosta de usar internet pra tema indigesto.

Contudo, sigo sendo a mesma de outrora. A mesma indignada que você, Bolsonarista, foi um dia.

Assim, me sinto um pouco menos só entre os que ainda sonham e preocupam com o próximo.

Desejo que, no Ano Novo, você pense suas decisões, aparentemente inofensivas, por que elas mataram muita gente (e de uma só vez) em 2020.

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