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GENTE DE CHAPADA

Trabalhadores da Enfermagem: heróis da pandemia

A coluna Gente de Chapada homenageia os profissionais do Cuidar por meio do convidado desta semana, o enfermeiro Raoni Benith

Gente de Chapada

Gente de ChapadaLugar de contar histórias de gente comum, gente de verdade, chapadenses que fazem a diferença, gente que batalha, muda as coisas, transforma de algum jeito o mundo ao redor e faz de Chapada dos Guimarães um lugar melhor pra se viver.

11/04/2021 16h05Atualizado há 1 mês
Por: Priscila Mendes
Fonte: Da Redação
Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

O Gente de Chapada desta semana é coletivo. Quer dizer, conta um pouco da trajetória de um, para, por meio dele, agradecer e homenagear todos os outros da categoria a qual pertence. Raoni Benith Vieira Soares, o enfermeiro Raoni, é bastante jovem, mas já atua há dez anos na Enfermagem e esteve na linha de frente contra a covid-19 desde que a pandemia começou. Ele será nosso portador de abraços a todos os profissionais de enfermagem e, de forma extensiva, aos profissionais da saúde.

Raoni – nome inspirado no cacique Raoni, líder indígena da etnia caiapó, conhecido internacionalmente por sua luta pela Amazônia e pelos povos da floresta – já morou em Chapada dos Guimarães quando criança, mas foi em 2014 (depois de graduado) que se mudou de vez para a cidade. Trabalhou na APAE por três anos, atuou no Hospital Dom Osvaldo desde 2017 e migrou para a UPA Frei Osvaldo.

Como é de se imaginar, o relato da rotina de Raoni retrata a realidade da Enfermagem brasileira nesta pandemia. Que já vivia a dor da perda dos pacientes antes, mas enfrenta um cenário de guerra agora.

No pico de internações, há umas três semanas – quando chegaram a ter todos os 16 leitos de enfermaria da UPA ocupados com pacientes infectados pela covid-19, o panorama estava bem complicado: os pacientes já chegavam à UPA com a saturação baixa (falta de oxigênio). Segundo Raoni, a UPA deu uma desafogada (e agora a ocupação varia entre oito e 12 leitos), por causa da criação do Complexo de Atendimento da Covid-19 e da conscientização da população, em procurar atendimento com sintomas iniciais.

Foto: arquivo pessoal

Raoni, assim como os outros colegas de trabalho, teve a jornada de trabalho dobrada na maioria das vezes. Seja porque a demanda aumentou muito – e não há mão-de-obra para contratação, seja pelos afastamentos dos colegas por contraírem a doença.

“Com a pandemia, estamos todos estressados. É o cansaço acumulado, é o serviço dobrado, a perda de pessoas próximas, o risco de ser contaminado e infectar os familiares, o distanciamento social... antes, a gente poderia fazer um churrasco, confraternizar, encontrar os colegas de trabalho em um momento de lazer... agora parece que só ficou a parte ruim”, desabafou Raoni.

Por outro lado, Raoni se sente muito orgulhoso por estar na luta por salvar vidas em um momento histórico tão difícil. Viu Chapada criar, ao máximo, as condições para cuidar de um paciente, enquanto aguarda leito de UTI em outra cidade.

“Hoje, nós temos leitos que chamamos de semi-UTI, porque têm ventilador mecânico, bomba de infusão [equipamento para ajuste fino de medicação]... a dedicação é maior, porque o paciente fica quase sedado. Mas é a forma que encontramos para aguardar a liberação de UTI pela Central de Regulação”, conta.

Nosso personagem de hoje alerta toda a sociedade para o risco da doença: “ela evolui muito rápido. Já vi pacientes passarem mal na recepção [da UPA], serem internados e não resistirem com cinco, seis dias de internação”.

Sobre sua profissão – formada por enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem, acredita que, finalmente, a sociedade passou a conhecê-la melhor e valorizá-la. “A Enfermagem passou de desvalorizada para protagonista”.

E ele é um apaixonado pela Enfermagem, reconhece as dores e as delícias de ser enfermeiro, diria Caetano Veloso. “Ser enfermeiro é gratificante. A gente faz, porque gosta de cuidar de outras pessoas. Vê-las melhorando é recompensador. Mas também é frustrante. De repente, a pessoa com quem você conviveu por uns dias parte e a gente nem tem tempo de lidar com o luto, porque precisa cuidar de outras pessoas que aqui estão”.

O maior sonho de Raoni, disse ele, é que acabe a pandemia. E manda recado a seus colegas de profissão: “aguentem firmes, que isso vai acabar! E seremos recompensados, seja aqui na Terra, seja no céu”.

Mas Raoni sabe que essa luta pela vida não é só da Enfermagem, mas de todos os profissionais de saúde. E aproveita o espaço para parabenizar os demais colegas – e fazemos das palavras dele as nossas: “Agradeço toda a equipe, desde a recepção, passando pelo pessoal da limpeza, até os médicos. A equipe inteira está de parabéns!”.

Nossos aplausos, profissionais de saúde! O site Notícias de Chapada registra: vocês são os verdadeiros heróis!

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