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Algazarra infantil

Uma gritaria de fazer inveja pra qualquer torcida organizada

Pinguela

PinguelaLorenzo Falcão é jornalista, escritor e poeta. Acumula longa experiência tendo passado pelos principais veículos de comunicação de Cuiabá. Desde 2010 é redator do site www.tyrannusmelancholicus.com.br , com foco em temas culturais. Já lançou seis livros, sendo o último, “Abobrinha”, de onde saíram os poemas que ilustram este texto

17/10/2021 11h14
Por: Luciana Bonfim
Fonte: Lorenzo Falcão
Um Menino Maluquinho na televisão... normal... agora, uma bando deles e delas, dentro de um único ônibus, é dose
Um Menino Maluquinho na televisão... normal... agora, uma bando deles e delas, dentro de um único ônibus, é dose

Mais ou menos onze e meia da manhã, dia desses, tomei o ônibus em meu bairro. Um horário diferente para a minha tênue rotina que nunca tem horas exatas pra quase nada e prefiro assim. Mas em relação ao transporte coletivo, se pudesse, optaria sempre por tomar o ônibus nos horários em que ele está mais vazio. Não foi bem o que aconteceu naquele dia. Não que o veículo estivesse transbordando de gente. Mas, o que tinha de gentinha ali dentro era uma coisa do outro mundo.

Gentinha que eu digo, presta atenção, não é pejorativo. É gente pequena mesmo. Gurizadinha, povo entre oito e 12 anos, que saía de uma escola pública e com a maior alegria do mundo, talvez por ter terminado mais um dia de aula, se dirigia pra casa. Acho que umas trinta ou quase isso crianças. E aquela alegria toda, é lógico, transformava-se numa invejável balbúrdia. Uma gritaria de fazer inveja pra qualquer torcida organizada.

A maior parte viaja em pé mesmo. Sentar pra que?! Com energia de sobra e animação pra dar e vender, não cabe na cabeça dessa turminha o exemplo de bom comportamento. E foi o que constatei logo que coloquei o pé dentro do ‘busão’. Parecia uma colmeia de abelhas espaventadas, mas com um som mais estridente. Subi, olhei para aquela turminha que estava alojada quase toda ela na parte detrás do coletivo. Nem me repararam, claro.

Vi que a cobradora gritava também. Coitada. Ela sozinha contra aquela jovem multidão. A moça estava rouca e oscilava entre momentos de lucidez e impaciência, quando a raiva parecia lhe subir a cabeça e ela era obrigada a proferir uma série de palavras duras contra aqueles diabinhos. Deus que me perdoe, mas tive que me referir a esse poder ultrajovem como diabinhos, mas eles eram isso mesmo.

Logo acabei me solidarizando com a cobradora. Ela chamava a atenção dos mais esbaforidos que se dependuravam pela janela do ônibus, enquanto outros viajavam na porta, discutiam entre si, provocavam-se, desafiavam-se etc. A algazarra era infernal. E a cobradora a cada momento mais rouca.

Perguntei-lhe se acontecia sempre isso e ela aquiesceu. “Já vai acabar... os últimos descem daqui a dois pontos”. Disse-me isso e passou mais uma descompostura num gurizinho endiabrado de boné vermelho. E ríamos meio que escondidos dos últimos viajantes rebeldes.

Passaram-se mais dois pontos, dito e feito. Os últimos pestinhas desceram e ficamos num silêncio triste e desolador. Deu saudades da alegria espevitada.

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