Farmácia
Notícias de Chapada
ENCONTRADO

Jovem que fugiu de comunidade terapêutica de Chapada é localizado em Várzea Grande

Segundo a família está voltando para Cacoal, em Rondônia, onde a família espera ansiosa pelo reencontro

18/11/2021 15h32
Por: Laura Matos Lucena
Fonte: Da redação

A fuga e desaparecimento do jovem Wesley Vinícius Queiróz, de 18 anos, teve um final feliz, ao menos para a família dele. O rapaz foi localizado em Várzea Grande e já está retornando para a cidade onde nasceu, Cacoal (Rondônia). Ele está gozando de boa saúde e seus tutores estão ansiosos pelo reencontro. 

Wesley estava internado, por ordem judicial, em uma comunidade terapêutica com sede em Chapada dos Guimarães, para tratamento de dependência química, a espera de receber alta, quando fugiu no dia 17 de outubro passado, aproveitando-se de uma queda de energia elétrica. 

Foi a segunda vez que ele fugiu da comunidade terapêutica Solares, depois de ter sido informado de que em breve estaria de alta. A Delegacia de Polícia de Chapada dos Guimarães arquivou o caso alegando que fuga não é crime. O tutor do jovem, que preferiu não ser identificado na reportagem, não desistiu de procurar por ele. 

A partir de uma fotografia de Wesley tirada nas proximidades do Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, o tutor do jovem passou a investigar, à distância mesmo, sobre o paradeiro do jovem, indagando aos comerciantes e funcionários. Graças à interne ele obteve telefones de lojas e foi falando com os comerciantes, compartilhando fotos e informações. 

O tutor que, no final das contas descobriu em si o dom da investigação, disse ter ficado impressionado com a solidariedade dos empresários e funcionários do comércio varzeagrandense. Segundo ele a colaboração de todos foi fundamental para que Wesley pudesse ser encontrado. 

GRAVES IRREGULARIDADES 

A fuga do jovem levou a reportagem à também investigar na internet sobre a proliferação dessas comunidades terapêuticas, que surgiram para substituir os manicômios, dando um tratamento mais humano para os dependentes clínicos. Tal investigação levou a uma quantidade considerável de reportagens denunciando sérias irregularidades praticadas dentro destas comunidades. 

A realidade em algumas comunidades não é muito diferente dos manicômios contra os quais a sociedade vem lutando, em busca de oferecer um tratamento mais digno aos pacientes. Há denúncias, inclusive, de centros sem autorização para funcionamento e até mesmo sem nenhum médico responsável. 

O relatório da inspeção nacional em comunidades terapêuticas realizado em 1917 e publicado em 1918 cita irregularidades em comunidades terapêuticas, inclusive em Chapada dos Guimarães e Cuiabá. O relatório reúne os resultados da Inspeção Nacional em Comunidades Terapêuticas realizada em outubro de 2017, nas cinco regiões do Brasil, por iniciativa do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal (PFDC/MPF). 

O objetivo da inspeção foi o de buscar “lançar luz sobre territórios ainda pouco conhecidos pelo conjunto da sociedade, a inspeção nacional identificou nas comunidades terapêuticas vistoriadas a adoção de métodos que retomam a lógica da internação, inclusive compulsória, como recurso primeiro e exclusivo de suposto tratamento, em absoluta contrariedade à legislação vigente”. 

“A privação de liberdade é a regra que sustenta esse modelo de atenção, visto ocorrer não apenas nos estabelecimentos que autodeclaram realizar internação involuntária e compulsória, mas também naqueles que anunciam atender somente internações voluntárias, embora não oportunizem aos internos condições reais de interromper o ‘tratamento’. Trata-se, portanto, da imposição real de barreiras, que vão desde retenção de documentos, intervenção para dissuadir a vontade apresentada, até a não viabilização de transporte para a saída de instituições isoladas dos perímetros urbanos. Além desses obstáculos, não há política ativa de informação e transparência que permita à pessoa internada uma tomada de decisão autônoma e soberana acerca de quando cessar o “tratamento”. Em suas mais de 150 páginas, o presente relatório sistematiza o conjunto de informações coletadas em cada um dos 28 estabelecimentos visitados – em todos, há de se frisar, foram identificadas práticas que configuram violações de direitos humanos”, denuncia a inspeção feita em 2017. 

A Solares, onde o jovem Wesley esteve internado em Chapada dos Guimarães é citado algumas vezes no mencionado relatório, cujo link segue abaixo para quem quiser entender mais a respeito do assunto. 

https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/06/Relat%C3%B3rio-da-Inspe%C3%A7%C3%A3o-Nacional-em-Comunidades-Terap%C3%AAuticas.pdf

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Chapada dos Guimarães - MT
Atualizado às 16h41
32°
Pancada de chuva Máxima: 32° - Mínima: 21°
36°

Sensação

10 km/h

Vento

55.4%

Umidade

Fonte: Climatempo
Arranha Céu farmácia Ultra
Kombuxaê
anuncie aqui
Blogs e colunas
anuncie aqui
Rua Antiga
Últimas notícias
Mais lidas
anuncie aqui
Anúncio