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Artistas de Chapada dos Guimarães são premiadas em Bienal com trabalho que critica o agronegócio

A obra selecionada faz parte do trabalho do coletivo lute como uma gorda de fotografias de resistência ou como resistência

06/04/2022 17h11 Atualizada há 1 mês
Por: Luciana Bonfim Fonte: DA ASSESSORIA
Artistas de Chapada dos Guimarães são premiadas em Bienal com trabalho que critica o agronegócio

O Coletivo Lute como uma Gorda de Chapada dos Guimarães-MT, composto pela fotógrafa Ju Queiroz @juqueirozfotografia e pela filósofa artivista Malu Jimenez @malujimenez_, foi premiado na Bienal Black Brazil Art com uma obra do Ensaio Manifesto “Envenenada”. 

A obra selecionada faz parte do trabalho do coletivo lute como uma gorda de fotografias de resistência ou como resistência, que propõe a arte de fotografar corpos esquecidos, hostilizados e excluídos socialmente. Corpos que nunca aparecem na mídia e ensaios “convencionais”, é uma proposta de subverter a lógica do que se considera “belo”, “normal”, "positivo", "saudável" na concepção atual. O Ensaio manifesto faz uma crítica ao uso de agrotóxicos e o avanço desenfreado do agronegócio, colocando o corpo gordo, nu, afrontoso e político como representatividade do que morre pelo sistema. 

A Bienal Black Brazil Art trouxe como tema “Cartografia e Hibridismo do Corpo Feminino: Representação Visual e Afetiva" e reuniu 250 obras entre pinturas, esculturas, instalações, videoarte, fotografia e performances, produzidas por novos talentos da arte contemporânea nacional e estrangeira. Com trabalhos selecionados a partir de uma chamada pública, a exposição conta com a participação de mais de 100 artistas convidados, todos vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior. 

Em outubro de 2021, o trabalho premiado foi duramente criticado e hostilizado por pessoas ligadas ao agronegócio da região, que direcionaram seu ódio principalmente para o corpo gordo de Malu Jimenez. Vários comentários gordofóbicos e ameaças povoaram as redes de Malu e Ju Queiroz, assim como perfis de pessoas, que apoiando o protesto delas, também repostaram o ensaio-manifesto ENVENENADA. Coincidentemente a imagem mais hostilizada do Ensaio foi a que levou a premiação. (imagem anexa)

O trabalho do coletivo lute como uma gorda vem conquistando espaço, reconhecimento e premiações dentro e fora do país, para além dessa premiação  as artistas de Chapada foram selecionadas para participarem da Bienal de Arte Internacional  de Cerveira em Portugal com obras dos Ensaios Manifestos “Envenenada”, o qual já foi premiado, e “Sobras” (projeto aprovado pelo edital Movimentar) que faz uma crítica ao lixão aberto em Chapada dos Guimarães que questiona o que fazemos com nossas sobras, ensaio que abordam questões ambientais, feministas e antigordofobia. 

A bienal mais antiga da península Ibérica, traz o tema “WE MUST TAKE ACTION / DEVEMOS AGIR”, assinalando 44 anos de história e desafiando a comunidade artística a refletir sobre questões como a sustentabilidade. 

O Coletivo Lute como uma Gorda 

O Coletivo Lute como uma Gorda é formado principalmente por Malu Jimenez @malujimenez_ e Ju Queiroz @juqueirozfotografia. Juntas produzem fotografia de resistência, colocando o corpo gordo e a discussão sobre a gordofobia no foco de suas produções artísticas. Junto às corpas gordas, trazem ao foco denúncias ambientais, sociais e políticas que transpassam a vivência de duas mulheres que querem mudar o mundo. 

O coletivo parte dos estudos transdisciplinares das corporalidades gordas no Brasil com a tese de doutorado "Lute como uma Gorda: gordofobia, resistências e ativismos", junto aos estudos da fotografia de corpos dissidentes, desenvolvido por Ju Queiroz. O coletivo lute como uma Gorda tem participado de festivais, seminários e eventos no Brasil e fora do país, conquistando destaque e premiações. 

Desde 2019, vêm desenvolvendo a ideia de trabalhar com ensaios fotográficos políticos que trouxessem uma proposta de resistência. “A ideia é trazer a fotografia como uma ferramenta, instrumento na luta antigordofobia, de representatividade e de posicionamento político: o corpo gordo é revolução! O corpo gordo é político!” aponta Malu Jimenez. 

A fotografia de resistência, ou como resistência é a arte de fotografar corpos esquecidos, hostilizados e excluídos socialmente. Corpos que nunca aparecem na mídia e ensaios “convencionais”. É uma proposta de subverter a lógica do que se considera “belo”, “normal”, "positivo", "saudável" na concepção atual. 

Onde ver as obras:

- A exposição na Bienal Black Brazil Art acontece de forma online pelo site https://www.bienalblack.com.br/  e estará disponível para visitação até 18/06/2022

- A exposição na Bienal de Arte de Cerveira acontece de 16 de julho a 31 de dezembro de 2022, disponível em  https://bienaldecerveira.pt/ 

Fotógrafa e Performer

Ju Queiroz @juqueirozfotografia é graduada em psicologia pela FAP - Faculdades da Alta Paulista e especialização em Gestão de pessoas. Iniciou na fotografia em 2015 no ramo de fotografia de moda. Ao final deste mesmo ano passou a se dedicar à fotografia de família, newborn, gestantes, partos e festas infantis. Atualmente dedica-se ao público feminino conduzindo um trabalho de empoderamento através da fotografia. É criadora e mentora da “Jornada do Corpo” onde leva o autorretrato aliado às reflexões para autoconhecimento, e também é apoiadora e fotógrafa oficial do projeto “Lute como uma gorda” em conjunto com a doutora Maria Luisa Jimenez. Tem suas fotos expostas no livro que leva o mesmo nome sobre o tema da gordofobia. Também já fotografou eventos diversos como gravação de videoclipes, casamentos, festivais de dança, peças teatrais, inaugurações de estabelecimentos, dentre outros. 

Malu Jimenez @malujimenez_ é filósofa, feminista, artivista, pesquisa gordofobia desde 2014, propõe uma FILOSOFIA GORDA dentro de uma proposta de mudança de paradigma sobre corporalidades dissidentes, com uma revisão epistemológica sobre o discurso soberano de saúde, em uma perspectiva das corporalidades gordas. Professora pesquisadora, doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, autora do livro “lute como uma gorda: gordofobia, resistências e ativismos”. Fundadora do PESQUISA GORDA – Grupo de Estudos transdisciplinares das corporalidades gordas no Brasil, idealizadora do projeto lute como uma gorda.  Pós doutoranda em Psicossociologia na UFRJ. Palestrante, ministra cursos, workshops, rodas de conversa e oficinas sobre corporalidades gordas, escritas afectivas e performance fotográfica de resistência. 

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