CONCESSÃO
Associação de Guias e Condutores de Ecoturismo de Chapada se manifesta sobre concessão do Parque Nacional
"Espera-se que a comunidade seja inserida neste processo e que o Conselho do Parque seja atuante na gestão da região".
26/12/2022 07h46 Atualizada há 4 anos
Por: Fonte: AGCE

A Associação de Guias e Condutores de Ecoturismo de Chapada (AGCE), se manifestou sobre a recente concessão do Parque Nacional de Chapada. Nesta quinta-feira, 22, em leilão realizado na B3, na capital paulista, a Parques Fundos de Investimento de Participação e Infraestrutura (Parquetur) pagou R$ 1 milhão pelo parque.

O leilão da Chapada dos Guimarães foi a oitava privatização de parques realizada pelo governo Bolsonaro em projeto desenhado pelo BNDES.

Com a privatização, a Parquetur terá responsabilidade pela conservação do parque por três décadas e, como contrapartida, o governo liberou a concessionária para cobrar entradas dos visitantes, cujo preço inicial será de R$ 30.

Leia nota da Associação na íntegra:

O Parque Nacional de Chapada dos Guimarães foi fundado no final da década de 1980 e em abril de 2023 completará 34 anos de existência. Ele foi formado a partir de manifestações populares unidas por ONGs ambientalistas mato-grossenses que atuavam neste período. Ao longo destes anos a unidade foi gerida pelo governo federal que inicialmente tentou regularizar as questões fundiárias da unidade de conservação e garantir infraestrutura mínima para que haja a visitação que hoje, por dados oficiais, são de cerca de 200.000 pessoas por ano o que representa uma quantidade expressiva no cenário nacional.

Desde a sua fundação os principais atores do parque foram servidores e analistas do governo federal, funcionários temporários, pesquisadores, naturalistas, agências de turismo, guias de turismo e voluntários.  A atuação de tais grupos transformou a região de 33 mil hectares em um dos principais destinos de ecoturismo no Mundo com roteiros clássicos como o Circuito de Cachoeiras, Morro São Jerônimo, Cidade de Pedras, Vale do Rio Claro e Trekkings de até 3 dias.

A expectativa da nova concessão é que o Parque aumente a sua participação no cenário turístico mundial. As inúmeras possibilidades turísticas da Chapada dos Guimarães poderão enfim ser desenvolvidas pela gestão que possui uma previsão de investimentos de até 200 milhões de reais. O acesso a trilhas históricas que até então tinham o acesso proibido pelos atuais gestores poderão ser estruturadas e colocadas à disposição dos visitantes. A maior esperança é que novos atrativos como Paciência, Paredão do Eco, Trilha do Magessi, Casa do Morro, Trilha dos Dinossauros e muitos outros sejam reabertos, atraindo assim mais turistas e possibilitando uma permanência maior na região, o que favoreceria toda a economia local.

A Parquetur é uma empresa que atua há sete anos no setor de administração de Unidades de conservação. Seus fundadores são da área de Engenharia, Administração e Economia. Hoje contam com uma equipe multidisciplinar principalmente na área de Marketing e Administração. Até a concessão, os principais trabalhos eram o Parque Nacional de Chapada dos Veadeiros e o Parque Caminho do Mar no estado de São Paulo. Além da Chapada dos Guimarães, a empresa também arrematou os Parques Estaduais de Ibiticoca e Itacolomi ambos no Estado de Minas Gerais e o Parque Nacional do Itatiaia.

O trabalho da nova administração que se inicia em janeiro na Chapada dos Guimarães poderá ser um grande avanço nos rumos da unidade de conservação. Espera-se que a comunidade seja inserida neste processo e que o Conselho do Parque seja atuante na gestão da região para que assim a Chapada possa ocupar local de destaque ainda maior no cenário mundial de ecoturismo.