Tem deputados pedindo desculpa, tem outros mentindo que votaram contra, tem deputada saindo do União Brasil porque alega coação para manter o apoio à PEC da Blindagem. Essa PEC foi costurada na Câmara dos Deputados por partidos de direita, temerosos de que as investigações sobre o orçamento secreto pudessem alcançar os envolvidos em desvios de recursos públicos.
O propósito é claro, mas as consequências dessa PEC seriam desastrosas, tanto para o momento atual quanto para o futuro. A impunidade de políticos acusados de crimes transformaria a Câmara Federal em um refúgio para criminosos – o lugar mais seguro para quem busca escapar da justiça.
A oposição abraçou a chamada "PEC da Bandidagem", mas, para surpresa de muitos, deputados governistas – inclusive do PT e do PSB – também votaram a favor da proposta, que conta com ampla reprovação da população. A decisão desses parlamentares foi incompreensível para seus eleitores.
A principal preocupação dos partidos governistas era evitar a aprovação da PEC da Anistia, que absolveria Jair Bolsonaro, seus generais golpistas e os envolvidos nos atentados de 8 de janeiro. Na tentativa de barrar essa proposta, que representaria um pacote de impunidade, aliados do governo negociaram a aprovação da PEC da Blindagem em troca da rejeição da anistia, negociada com o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O cálculo político, no entanto, falhou redondamente. As duas propostas foram aprovadas. O acordo não foi cumprido, e a população brasileira assistiu à Câmara aprovar medidas absurdas que o povo claramente rejeita.
A maioria da população reconhece que Bolsonaro tentou derrubar o governo eleito e se manter no poder por meio de um golpe. Por isso, não quer anistia: quer que ele e seus apoiadores respondam por seus crimes.
Da mesma forma, a sociedade espera que todos os políticos – sem exceção – sejam responsabilizados por crimes já cometidos e futuros. O que parece óbvio para o público, no entanto, foi ignorado por deputados governistas, que alegam "ingenuidade" e equívoco estratégico para justificar o voto a favor da blindagem – um argumento inaceitável para quem ocupa esse cargo público.
Mais do que ingenuidade ou erro de cálculo, porém, o que pesa contra esses parlamentares é a percepção de que consideram normal negociar propostas de lei em acordos de bastidor, sem consultar a vontade popular. Se são representantes do povo, deveriam basear suas decisões no interesse público, e não em barganhas de gabinete.
Quatro dos seis federais de Mato Grosso votaram pela impunidade. Agora, muitos se dizem arrependidos e pedem desculpas por terem votado a favor da impunidade, mas não os nossos. Não era óbvio que a população reprovaria a medida e cobraria explicações? Se ainda não está claro, é essencial que os congressistas entendam: eles representam o povo e devem prestar contas à sociedade sempre!