A proposta de construção de um túnel no Portão do Inferno, na MT-251, voltou ao centro do debate sobre a segurança da ligação entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. O deputado estadual Valdir Barranco (PT) defende a criação de um grupo de trabalho com representantes do Governo de Mato Grosso, do Ibama e do ICMBio para avaliar alternativas e definir uma solução para o trecho.
A iniciativa pretende reunir os órgãos responsáveis pelas decisões ambientais e pela execução das intervenções na rodovia. Barranco considera necessário comparar as condições geológicas, os impactos ambientais e os custos das opções antes de avançar com a obra. Entre as possibilidades que ele defende está a construção de uma estrutura suspensa, como um viaduto, para contornar a encosta instável.
A articulação começou depois que o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) pediu apoio à bancada do PT para estabelecer interlocução com o governo federal. Barranco e a deputada federal eleita Rosa Neide (PT) já se reuniram em Brasília com representantes dos órgãos ambientais. A próxima etapa, segundo o deputado, é alinhar os encaminhamentos com a equipe estadual.
“O que nós queremos propor é um grupo de trabalho que possa sentar-se à mesa e falar a mesma língua, envolvendo o Ibama, o ICMBio, o governo do Estado, para construir um projeto”, afirmou.
Túnel divide avaliações técnicas
Barranco questiona a viabilidade da passagem subterrânea e afirma que características do material rochoso impediriam a construção. A avaliação, porém, não é consensual entre especialistas.
O geólogo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Caiubi Kuhn afirmou, em entrevista recente, que a construção de um túnel é tecnicamente possível, embora apresente desafios geológicos e geotécnicos. Segundo ele, as condições do maciço exigem métodos construtivos adequados e empresas com experiência nesse tipo de intervenção.
Kuhn também avaliou que a alternativa de um viaduto poderia ter representado menor custo e prazo caso tivesse sido escolhida desde o início. A estrutura suspensa já foi apontada em estudos técnicos como uma possibilidade para contornar o trecho de maior instabilidade.
O Governo de Mato Grosso, por sua vez, sustenta que o túnel oferece vantagens para a segurança permanente, a preservação da paisagem e a redução dos impactos ambientais. Entre os argumentos do Estado estão a menor movimentação de materiais, a redução dos custos de manutenção ao longo da vida útil da obra e a possibilidade de execução sem interromper o tráfego.
Nova licitação prevê R$ 72,5 milhões
Enquanto as alternativas voltam a ser discutidas, o Governo do Estado prepara uma nova concorrência para contratar a construção do túnel. O orçamento previsto passou de R$ 54 milhões, na primeira licitação, para aproximadamente R$ 72,5 milhões no edital lançado em outu
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