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Em Chapada

Guia recusa passeio a turistas que tentam “furar” quarentena: “peço um pouco de paciência”

Parque Nacional de Chapada dos Guimarães está fechado desde 18 de março

24/07/2020 09h42
Por: Lidiane Barros
Fonte: Lidiane Barros

Com novos horários de funcionamento do comércio determinados por decreto municipal, hotéis, pousadas e hostels não podem funcionar no fim de semana. 

Para uma cidade turística, o expediente restrito, de segunda a sexta-feira, impacta de sobremaneira o setor. Principalmente, porque o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães está fechado desde 18 de março, assim como pontos de visitação na cidade e entorno do município. 

E a propósito, se há outra categoria que foi das mais atingidas pela pandemia, certamente que é a dos guias e condutores de turismo. Afinal, alguns hotéis, pousadas e hostels legalizados puderam contar com incentivo do Governo Federal. Os guias e condutores também, mas por um valor bem menor, já que o auxílio para estes, foi de R$ 600,00 por mês. 

A presidente da Associação de Guias e Condutores de Ecoturismo (AGCE), Cecília Kawall é uma das profissionais do segmento do turismo que tem se desdobrado para manter a casa e cuidar dos filhos. Outros 60 guias associados também vivenciam desafios diários. Ela recebeu a primeira parcela no tempo certo, mas a segunda atrasou alguns dias e a terceira está retida até 8 de agosto. 

“E a gente esperava com ansiedade esse tempo, pois de abril a setembro, alta temporada, costuma ser o melhor período. Mas estamos sem perspectivas, afinal, estamos parados desde outubro de 2019 e pelo que se vê, só retornaremos às atividades por volta de abril de 2021”, lamenta. 

Mas Cecília é compreensiva. “Não tem o que fazer, essa situação pegou todo mundo de surpresa, inclusive a prefeitura, o governo. Mas talvez, se tivéssemos tido mais apoio no início para forçar isolamento adequado durante um mês, por exemplo, poderíamos estar longe disso”, desabafa. 

Ela conta que turistas têm ligado tentando furar a quarentena. “Mas eu aconselho os colegas. Digo ´olha, não podemos incentivar a movimentação de pessoas, afinal, é melhor lidar com uma restrição mais rígida agora para essa situação não se arrastar por mais tempo”. Aos seus clientes ela pede: “só um pouquinho de paciência. Já vai passar”. 

Sobre a situação de pandemia que impactou a rotina de guias e condutores, ela relembra que o setor começava a encontrar um lugar rumo à sua consolidação como destino turístico. “A gente ensaiava uma expansão”, conta. 

Por enquanto, Cecília acata as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e não vê o momento de voltar a frequentar um dos destinos que considera mais especiais em Chapada: o Morro de São Jerônimo. “Saudade de pernoitar no parque e almoçar no outro dia na comunidade da base do morro”. 

*Movimento de formalização* 

O secretário de Turismo de Chapada, Luiz Brizuela, confirma que o movimento de formalização, desenvolvimento e consolidação do trade turístico está encaminhado. 

“Boa parte dos guias e condutores ecológicos operam como microempreendedores individuais, estão regularizados no Cadastur, no Ministério do Turismo.  Agora, um dos passos essenciais é regulamentar a atuação de atrativos”. 

O secretário conta que há um estudo de viabilidade em curso. “A melhor maneira de consolidar o setor é criar uma associação de representantes dos atrativos. E os atrativos nos municípios ao redor, teriam que se associar também, para serem incluídos em roteiros que podem ser adquiridos via voucher turístico”, descreve. “Isso beneficiaria, da camareira da pequena pousada ao dono de resort”. 

Segundo Brizuela, a fase inicial do estudo aponta o número de atrativos e depois, os categoriza. “Por cachoeiras, trilhas, mirantes, turismo de aventura, de esporte, entre outros. Já contamos mais de 30 destinos”. E depois de categorizado, são indicados quais os documentos necessários para regulamentação desse atrativo. 

“E então, com tudo regulamentado a associação que reúne todos os representantes dos atrativos, vai poder acessar recursos do Estado e do Governo Federal, por exemplo”. 

A contrapartida é a regularização, afinal, em tempos de pandemia, pousadas e hotéis que estavam em situação regular - exemplificando a necessidade de atuar dentro da legalidade -, conseguiram acessar benefício do Governo Federal, pagar seus funcionários e evitar que o prejuízo fosse ainda maior. 

“Quando tudo estiver organizado, tivermos o projeto, documentos e entidade formalizada para receber recursos, aí certamente que vou sair e bater à porta de instituições para viabilizar recursos”. Com boa parte do semento atuando na informalidade, as facilidades se confundem com benefício, explica ele. “Mas no final das contas, a informalidade traz prejuízos”, ressalta.

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